Visita á fábrica da Cailler

No mês passado esteve cá a minha mãe a passar uns dias e um dos pontos de visita obrigatória é a fábrica de chocolate da Cailler em Broc no coração da Gruyerre.

Já lá tínhamos estado lá em 2007, na altura a visita era gratuita mas não tão interessante como agora.

A visita começa num templo asteca. Pelo sistema de áudio, o narrador conta a história do “ouro negro”, inicialmente uma mistura fria de cacau e água reservada somente a homens membros das castas nobres. Seu nome original era “Xocolatl”. A próxima sala coloca os visitantes nos porões dos navios do conquistador espanhol Hernán Cortés. Ele trouxe as sementes para a Europa em 1528 e apresentou a bebida aos reis. No início a Igreja foi contra – “uma bebida infernal” – mas acabou cedendo às suas tentações.

A visita continua. A porta abre-se s e os cenários movimentam-se como em um relógio cuco, com precisão suíça. O narrador continua atravessando a história e chega à Praça da Bastilha, em plena Revolução Francesa. Pouco antes de ser guilhotinada, a rainha Maria Antonieta pediu como última refeição um chocolate quente. A próxima sala já se abre com um cenário majestoso de montanhas, chalés e vacas.

O narrador explica então porque a Suíça é o país do chocolate: François-Louis Cailler abriu a primeira fábrica de chocolate na Suíça (1819), Philippe Suchard criou a primeira máquina de misturar açúcar e cacau em pó (1826), Daniel Peter produziu o primeiro chocolate ao leite (1879) e, no mesmo ano, Rodolphe Lindt, a primeira máquina de conche, que deu a consistência atual da guloseima. Isso sem esquecer de Henri Nestlé, o inventor do leite condensado no século 19.

O espetáculo multimédia chega ao fim através do painel retratando a fábrica da Cailler, em Broc. Alexandre Cailler escolheu na época a região não apenas pela proximidade do rio Jogne, que movimentaria as máquinas, mas também dos produtores de um leite considerado até hoje de excelente qualidade. Em poucos anos, nesse final do século 17, a empresa se tornou-se o maior empregador da região, com mais de dois mil funcionários. Hoje, devido à automação, Cailler emprega apenas 390 pessoas, das quais 30 trabalham no Centro de Excelência do Chocolate, inaugurado em setembro de 2009. Seu principal objetivo é aprimorar o produto através de pesquisa e testes.

O cheiro  chocolate persegue-nos ao longo de toda a visita. A porta automática abre-se para um salão, onde Cailler revela os ingredientes empregados nos seus chocolates e os oferece também. Um deles é o cacau, grãos torrados dentro de grandes sacos de plástico estão á disposição para serem saboreados assim como as avelãs e amêndoas torradas. O cheiro do ambiente se explica pelos grandes blocos de manteiga de cacau exibidos. Só o leite não pode ser visto, mas a empresa revela que ele vem de 56 quintas da região de Gruyère. A Cailler é também o único fabricante no mundo a utilizar leite condensado e não em pó nas suas fórmulas, como é comum. Isso explica o preço mais elevado do seu chocolate. Só o segredo da receita continua um mistério: na sala, um televisor mostra ao vivo os cofres onde elas estão guardadas.

Logo após essa sala, o visitante entra propriamente na fábrica. Separada através de paredes de vidro está a primeira linha de produção, uma máquina moderníssima com 26 metros de comprimento, onde são fabricados as barras (branche) de chocolate de leite da Cailler. Nela, braços de robô embalam os produtos com uma velocidade de duzentas empacotadeiras. Uma pequena amostra da produção é colocada sobre bandejas e oferecida aos visitantes.

As salas restantes exibem outras partes da fábrica como a sala de torrefação.

A visita chega ao fim na sua parte mais “doce”. Numa sala colorida, duas recepcionistas enchem ininterruptamente bandejas sobre um grande balcão em forma de “u” com todas as especialidades da Cailler: barras de chocolate amargo, de leite ou branco, bombons de todos os formatos, com café ou caramelo e outras delícias, tudo á nossa disposição.

Ao sair não podemos deixar de passar na loja e comprar mais deste maravilhoso chocolate, foi o que eu fiz.

 

Sobre Paula Torres

Sou de Viana do Castelo mas estou a morar em Estavayer-le-lac na Suiça. Adoro tachos e panelas e tudo o que lhes diz respeito.
Esta entrada foi publicada em chocolate, desafio, Suiça. ligação permanente.

5 respostas a Visita á fábrica da Cailler

  1. Elisabete Sousa diz:

    Estive a ler a descrição da sua visita à fábrica do chocolate e gostei imenso. Em Maio vou passar aí uns dias e quero visitar essa fabrica. Sabe-me dizer se é preciso marcar a visita com antecedência ou basta ir e comprar o bilhete? Obrigada.
    Elisabete Sousa

    • Ola Elisabete a não ser que seja um grupo grande não precisa de marcar visita, a visita vale mesmo a pena e a degustação de chocolates no fim e a cereja no topo do bolo🙂

      • Elisabete Sousa diz:

        Somos um grupo de 7 pessoas. Sim a degustação final desse o máximo.
        Muito obrigada pela resposta.

  2. Flavianne diz:

    Você sabe me dizer se é aberto aos domingos para visitação?

    Desde já obrigada.

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